Lula e Alcolumbre dividem espaço no TSE em meio à tensão entre Planalto e Senado
Em uma cerimônia marcada mais pelo protocolo do que pela conciliação, Lula e Davi Alcolumbre sentaram-se lado a lado na posse de Kassio Nunes Marques no comando do TSE, sem conversa ou cumprimentos. O gesto, ou a ausência dele, expôs a temperatura elevada na relação entre Executivo e Senado após derrotas recentes do governo no Congresso.
Fonte Original:CNN BrasilVer Original

Clima institucional segue pressionado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), dividiram a mesma fileira nesta terça-feira (12), durante a posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Apesar da proximidade física, os dois não se cumprimentaram nem mantiveram conversa ao longo da cerimônia, que durou mais de uma hora.
O episódio ocorreu em meio a uma relação já desgastada entre Planalto e Casa Alta. A postura reservada entre os dois reforça a leitura de que o diálogo político segue travado em um momento de alta sensibilidade para o governo, que tenta recompor pontes no Congresso depois de sucessivas derrotas.
A distância política entre Lula e Alcolumbre se acentuou após a rejeição, no plenário do Senado Federal, da indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal). A indicação foi derrotada por uma margem de 7 votos a menos do que os 41 necessários. Também pesou a derrubada do veto de Lula ao projeto de lei da dosimetria.
Nos bastidores, a leitura é de que esses episódios colocaram em evidência a dificuldade do governo em consolidar maioria em pautas sensíveis. Para tomadores de decisão, o recado é claro: a governabilidade passa, cada vez mais, pela capacidade de articulação entre Executivo, Senado e Câmara em um ambiente de negociação mais duro.
Mesmo com o ambiente azedo, há a possibilidade de o Executivo tentar uma reaproximação com Alcolumbre após a derrota de Messias e a queda do veto da Dosimetria. A movimentação é vista como relevante porque o governo ainda pode indicar um novo nome para o Supremo no atual mandato, antes das eleições de outubro.
Nesse contexto, a presença de Lula e Alcolumbre no mesmo evento teve valor simbólico. O que poderia ter sido um gesto de distensão acabou registrado pela ausência de cumprimento, num sinal de que a negociação política ainda depende de reconstrução de confiança.
Kassio Nunes Marques tomou posse como presidente do TSE, com André Mendonça na vice-presidência. A cerimônia também reuniu o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente do STF, Edson Fachin, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e Michelle Bolsonaro.
Este é um marco institucional: pela primeira vez, ministros indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) assumem o comando do TSE. Nunes Marques e Mendonça estarão à frente da Corte durante as eleições de 2026, cujo primeiro turno está previsto para 4 de outubro.
Para o ambiente político nacional, o desfecho da cerimônia reforça duas leituras centrais: a do desgaste na interlocução entre Executivo e Senado e a da importância do TSE no ciclo eleitoral que se aproxima. Em Brasília, cada gesto segue sendo observado como termômetro da capacidade de articulação entre as instituições.
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